Reconhecimento Profissional – Uma Questão de Sobrevivência para as Empresas

Quando uma empresa reconhece seus profissionais, ela não está apenas sendo generosa com o trabalhador, mas sim, garantindo a sua própria sobrevivência.

A cada dia, novas competências e habilidades são exigidas, no entanto, não estou falando somente dos trabalhadores, mas também, dos gestores das atuais organizações.

Se por um lado temos um enorme desemprego, com grande oferta de mão de obra, por outro, temos uma escassez maior ainda de profissionais comprometidos. Essa seria uma situação perfeita para usar o velho clichê: quantidade não quer dizer qualidade.

As empresas, representadas por seus gestores, precisam mais do que nunca, elaborar estratégias para reter os bons profissionais, pois esse movimento é o que pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma organização.

Para melhor entender e corroborar esse meu argumento, mais uma vez, recorro aos clássicos da literatura acadêmica e, dessa vez farei uso das obras do psicólogo estadunidense, profundo estudioso sobre a hierarquia das necessidades humanas, Abraham Maslow (1908-1970), ou simplesmente, Maslow.

Maslow, quando ainda estudante de Psicologia na Universidade de Wisconsin, desenvolveu a  famosa pirâmide das necessidades de Maslow e ela, novamente, nos auxiliará na compreensão desse movimento natural e inerente ao ser humano: a busca por algo maior. Vamos relembrá-la.

Pirâmide das Necessidades de Maslow

Fonte: o autor

 

Sem entrar em maiores detalhes sobre cada uma das fases dessa pirâmide, pois não é este o objetivo, o fato é que, na medida em que satisfazemos uma dessas fases ou necessidades nelas contidas, imediatamente passamos a almejar a próxima e assim, sucessivamente, até alcançarmos o topo: a autorrealização.

Esse processo é natural e saudável, pois nos impede de permanecermos na zona de conforto. Seria péssimo a qualquer pessoa, a acomodação em uma dessas fases, pois indicaria estagnação e conformismo.

Aplicando esse conceito ao mercado de trabalho, podemos dizer que a lógica permanece a mesma ou, em outras palavras, o profissional contemporâneo não busca mais somente o salário, não que este não seja importante, mas não é mais a única motivação, tampouco é suficiente para que permaneça numa empresa.

Grandes profissionais buscam grandes desafios, buscam a superação dos seus próprios limites, enfim, buscam causas que estejam alinhadas a sua realização pessoal e profissional, contudo, tais fatores geralmente não estão presentes na grande maioria das empresas, apesar do longo e gradativo processo de mudança nas relações de trabalho que se estende há anos.

São bastante comuns as exigências para o preenchimento de um determinado posto, também digo que essas exigências são naturais e necessárias, por outro lado, é preciso analisar o que as empresas estão fazendo para reter esses talentos?  

Bons salários atendem a base da pirâmide, pois saciam as necessidades fisiológicas, e então proporcionam segurança e tendem a influenciar no âmbito social, pois facilitarão o trânsito entre diversos grupos, com interesses afins. Podem ainda influenciar no status material, mas de longe irão satisfazer o status pessoal que contempla sentimento de pertencer e de ser reconhecido e, muito menos, a autorrealização que envolve a automotivação ou, em outras palavras, agir com proatividade, segurança e disposição rumos aos objetivos profissionais e pessoais.

Desta feita é possível afirmar que são receitas promissoras de fracasso os salários abaixo da média, o pouco reconhecimento pessoal e profissional e a falta de alinhamento com as causas pessoais e sociais do grupo que a empresa representa, entre outros elementos comumente desejados pelos trabalhadores, tais como treinamentos e um ambiente salutar ao trabalho.

Toda empresa é um organismo vivo, um sistema aberto e, como tal, precisa evoluir e se adaptar às mudanças do meio onde está inserida. No entanto não basta somente exigir, é preciso também ofertar, pois a relação deve ser de troca. Não existe mais espaço para o questionamento acerca de quem precisa de quem, pois todos precisam de todos dada a interrelação, interdependência e interatuação naturais aos sistemas vivos.

Com base no acima exposto, algumas perguntas são pertinentes e provocadoras para os dois lados da relação de trabalho. São elas:

Por parte das organizações – Que tipo de profissional quero ter na minha equipe? O que oferecerei para o seu crescimento e desenvolvimento profissional?

Por parte dos profissionais – Que tipo de organização se identifica com a minha forma de ser?

Naturalmente, equilibrar essas situações seria o melhor dos mundos, fato que nem sempre é possível, mas dentro das possibilidades disponíveis, o que pode ser feito para chegar o mais próximo possível desse ideal?

Esse é o desafio com o qual lidamos todos os dias! Boas organizações devem prezar os bons profissionais. Bons profissionais, por sua vez, devem prezar por boas organizações.

Quando há o descompasso por qualquer das partes, inicia-se um processo desgastante, onde normalmente ninguém ganha e, então, essa situação deve ser evitada ao máximo, afinal, uma boa relação comercial é aquela exatamente onde todos ganham.

Terminarei meu texto com uma frase que, erroneamente, é atribuída a Darwin e que, na verdade, não localizei o seu verdadeiro autor, mas que diz que “nem sempre sobrevive o mais forte, mas sim, o que melhor se adapta”.  Assim sendo, empresas e profissionais, num esforço conjunto, devem unir forças e buscar a adaptação necessária, dentro desse ambiente, por vezes, bastante hostil, que é o mercado de trabalho, rumo a sobrevivência de todos.

 

Autor: Prof. Belini

Revisora: Profa. Maria Cristina Pavan de Moraes